Verdade ou Mentira?

Juntamente com o crescimento de casos da COVID-19, cresce também a difusão de notícias falsas — fake news — em alguns veículos de comunicação e, sobretudo, nas redes sociais. Compartilhar esse tipo de conteúdo pode agravar ainda mais a situação de saúde pública por que passam o país e o mundo. Atendendo à sua função social, a UFRJ destaca alguns casos inverídicos e recomenda a veiculação de informações por meio de fontes confiáveis e referenciadas.

Veja a seguir o que é verdade e o que é mentira:

Verdade

O coronavírus se propaga pelo ar.

A transmissão dos coronavírus ocorre por gotículas expelidas pelo trato respiratório produzidas por espirros, tosse e saliva gerados pelo indivíduo infectado. O contato com secreções contaminadas, quando levadas aos olhos, boca e nariz, também permite a infecção pelo coronavírus. Assim, o vírus pode ser transmitido pelo ar ou por contato com secreções ou superfícies contaminadas.

Importante: deve-se manter pelo menos 1 metro (ao menos 1 braço) de distância das pessoas para evitar contato com gotículas de secreção.

Mentira

É recomendável a produção de álcool em gel caseiro.

O Conselho Federal de Química (CFQ) publicou nota oficial desaconselhando a produção de álcool em gel caseiro e reforçando o alto potencial para incêndios, queimaduras e irritação da pele. Cuidado!

Mentira

Gargarejo com água morna, sal e vinagre pode eliminar o vírus.

O coronavírus não pode ser eliminado do corpo por meio de gargarejos com água morna, soluções salinas ou ácidas.

Verdade

Lavar as mãos com água e sabão é mais eficiente que álcool em gel.

Lavar as mãos com água e sabão, friccionando por pelo menos 20 segundos toda a superfície é a melhor estratégia para reduzir o número de micro-organismos nas mãos, além de remover toda a sujeira acumulada. O álcool em gel 70% também é eficiente para esterilização e inativação dos vírus, mas pode ser reservado para assepsia quando o acesso à agua e ao sabão não é possível.

Inconclusivo

É recomendada a suspensão do uso de ibuprofeno para tratar COVID-19.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) fez um anúncio em 17/3/2020 desaconselhando o uso de ibuprofeno em indivíduos que tenham sintomas de COVID-19. No entanto, embora muitos estudos estejam em andamento, ainda não há uma quantidade suficiente de dados clínicos que permita uma determinação final sobre o tema. Em 19/3/2020, a OMS divulgou nota revogando o anúncio anterior. Mas, por precaução, o Ministério da Saúde ainda mantém a recomendação de substituição de ibuprofeno por outros medicamentos.

Importante: se um paciente faz uso de ibuprofeno ou qualquer outro medicamento por orientação médica, não deve interromper o tratamento sem orientação do médico.

Inconclusivo

A hidroxicloroquina é efetiva contra a COVID-19.

A Anvisa publicou uma nota técnica em 19/3/2020 explicando que, apesar de promissores, não existem estudos conclusivos que comprovam o uso de hidroxicloroquina  para o tratamento da COVID-19. Portanto, não há recomendação para pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus.

A hidroxicloroquina/cloroquina é um fármaco utilizado para o tratamento de malária e algumas doenças autoimunes. Estudos in vitro demonstraram seu efeito inibindo a replicação de diferentes vírus, incluindo SARS-CoV-2. Estudos recentes com pacientes da China e da França mostraram uma tendência a redução da carga viral em comparação com pacientes não tratados, sugerindo o medicamento como alternativa para o tratamento da COVID-19, particularmente em pacientes graves. É importante ressaltar, no entanto, que os estudos incluíram um número pequeno de pacientes, e que mais testes são necessários. Além disso, o mecanismo de ação da cloroquina deve estar relacionado a seu efeito nas células (e não no vírus), o que pode estar associado a efeitos colaterais, ainda pouco compreendidos.

O uso indiscriminado de qualquer medicamento pode causar efeitos adversos, e a aquisição por pessoas que não precisam dele pode determinar a falta para aqueles que já o utilizam devido a outras doenças.

Importante: Não há nenhuma recomendação até o momento de utilização de cloroquina ou hidroxicloroquina sem indicação médica.  

Mentira

Práticas de meditação guiada são formas de imunização contra o coronavírus.

Embora a meditação possa auxiliar no bem-estar psicológico, não há nenhuma pesquisa que relacione a prática a uma maior imunização contra o coronavírus.

Mentira

Vinagre é mais indicado que álcool para desinfetar mãos e superfícies.

De acordo com evidências e estudos científicos atuais, o álcool 70% em gel ou líquido é um dos métodos de prevenção contra o coronavírus, assim como a higienização com água e sabão. Um artigo publicado pelo Journal of Hospital Infection, da Healthcare Infection Society, comprova a eficácia do álcool 70% em gel e líquido contra a exposição ao coronavírus.

Mentira

A COVID-19 é causada por micro-organismos criados em um centro de pesquisa.

De acordo com um estudo científico de pesquisadores de três grandes universidades dos Estados Unidos, Austrália e Reino Unido, o vírus é resultado de evolução natural.

Mentira

O vírus exposto a uma temperatura de 26 a 27 ° C morre.

O Ministério da Saúde desmentiu essa informação em seu site. A temperatura do corpo humano é de pelo menos 36°C. Beber água a uma temperatura de 26 a 27 °C não traz benefício algum em relação à prevenção ou eliminação coronavírus, uma vez que no corpo humano o vírus tolera temperatura de pelo menos 36°C.

Mentira

O vírus só vive nas mãos durante 10 minutos.

O Ministério da Saúde desmentiu essa informação em seu site. O período médio de incubação da infecção por coronavírus é de 5 dias, com intervalo que pode chegar até 14 dias.

Mentira

Utilização de prata coloidal no combate ao coronavírus.

Até o momento, não há nenhum medicamento, chá, substância, vitamina, alimento específico ou vacina que possa prevenir a infecção pelo coronavírus.

Mentira

Cuba anuncia que já fabricou vacina contra o coronavírus.

Ainda não foi fabricada nenhuma vacina contra o coronavírus em Cuba.

Mentira

Israel sai na frente e já tem vacina contra o coronavírus.

Ainda não foi fabricada nenhuma vacina contra o coronavírus em Israel

Mentira

Falta de tosse ao prender a respiração por mais de 10 segundos é suficiente para descartar uma infecção pelo novo coronavírus.

Não há qualquer base científica para afirmar que, ao segurar a respiração por mais de 10 segundos, a ausência de tosse é suficiente para descartar uma infecção pelo novo coronavírus.

Mentira

Para se proteger de uma contaminação, basta beber água a cada 15 minutos.

Sem dúvidas beber água é fundamental para a nossa saúde. No entanto, não há qualquer comprovação científica de que bebê-la a cada 15 minutos possa proteger da contaminação do coronavírus.

Mentira

Uma tigela de água de alho recém-fervida pode combater o coronavírus.

A Organização Mundial da Saúde desmentiu essa informação em seu site. Não há qualquer comprovação científica de que uma tigela de água de alho recém-fervida possa combater o coronavírus

Mentira

Redes 5G são causas do surto de coronavírus.

Não há qualquer base científica para afirmar que o surto teria sido causado pelas redes 5G. A hipótese mais provável é de que o coronavírus tenha sido transmitido a partir de uma  fonte  animal,  embora nem a origem ou possíveis reservatórios tenham sido identificados ainda.